Entrevista Mariane Sulzbacher – Engenheira de Cimentação

Do sonho para a vida real

Quando ainda estava na faculdade de Engenharia de Petróleo, Mariane Sulzbacher, de 27 anos, já tinha o sonho de conhecer o trabalho de perfuração e produção de óleo offshore brasileira. Atualmente trabalhando como Engenheira de Cimentação Junior na Halliburton, ela conta que começou a seguir o desejo cedo, ainda como estagiária de Flex-tubo, em 2019, e durante seis meses teve a oportunidade de trabalhar no setor.

No final do período de estágio não havia vagas disponíveis na área em que atuava, mas a paixão pelo trabalho que começou ali a fez encarar o desafio de participar de uma seleção para o setor de Cimentação.

“Iniciei minha carreira como engenheira de cimentação com treinamentos de campo no Nordeste do Brasil. Meu primeiro embarque aconteceu em 2020, quando fui transferida para Macaé. Desde então, tive a oportunidade de atuar em diferentes sondas nas bacias de Santos e Campos, trabalhando na cimentação de novos poços e em operações de abandono de poços em campos maduros”, lembra.
E para aqueles que ainda pensam que o lugar da mulher não é onde ela quer, Mariane foi direta. “As dificuldades que os homens enfrentam embarcados são as mesmas que nós mulheres passamos. Na verdade, talvez até menores, uma vez que, em geral, homens não passam por situações de assédio ou têm a sua capacidade física e intelectual questionada”, afirma.

Ela reforça que nos últimos anos o número de mulheres a bordo vem aumentado, o que só comprova que elas são capazes de realizar qualquer função offshore. “Já mostramos que o desempenho nas operações e o trabalho em equipe é o mesmo com mulheres a bordo”, completa.

A vida no mar

Para quem quer seguir este caminho profissional, Mariane adverte que é necessário muito conhecimento técnico, ter muita disposição para longas jornadas de trabalho e aprender a lidar com pessoas de diferentes setores e hierarquias.

“Durante os dias a bordo temos que lidar com muitas pessoas que não são do nosso convívio diário, além do estresse das operações e da rotina de trabalho em turnos de 12h ou mais. Mas, para mim, nada se compara à dificuldade de ficar longe da família”, reflete.

Mas nem a saudade de casa para a engenheira. “Meu sonho é seguir carreira na cimentação e trabalhar à frente das operações offshore para, quem sabe, futuramente trabalhar como líder de engenharia Brasil e exterior”, planeja.