Entrevista com Carmem Lúcia Spinelli – Rádio Operadora

Orgulho da profissão

O interesse de Carmem Lúcia Spinelli pelo setor offshore se deu de forma meio inusitada. Ela trabalhava em uma rede de hotéis que hospedava trabalhadores do setor de óleo e gás e que sediava alguns eventos do mercado. Ao final dos eventos, ela sempre lia os materiais que sobravam e ficava fascinava ao ver toda a agitação de troca de turma das diferentes empresas no saguão. Ali surgiu uma certeza: ela queria fazer parte daquele mundo.

O caminho não foi tão simples, a primeira pergunta que lhe ocorreu foi “Como?”. Foi aí que um colega sugeriu que ela buscasse informações sobre a profissão de Rádio Operadora, já que ela dominava o inglês. Ali nascia uma carreira que começou em 2009, com seu primeiro embarque.

“Não me esqueci daquela dica e fui me informar sobre aquela função: quais as atividades eram desenvolvidas e o que seria necessário para o cargo. Me dediquei a realizar todos os cursos, investi tudo o que tinha naquele sonho”, relembra Carmem.

O início de um sonho

O primeiro obstáculo veio pela falta de experiência. Foi então que em 2009, ela conseguiu sua primeira oportunidade, mesmo em uma época em que as mulheres enfrentavam muito mais dificuldades em ingressar na careira.

“Quando comecei a trabalhar embarcada, tudo ia bem. Meu filho mais novo tinha dois anos e o mais velho, 10. Eu contava com a ajuda da minha mãe para cuidar deles, mas quando um AVC a levou e todo meu mundo desabou. Tive que parar de embarcar, me recompor”, conta a rádio operadora.

Mas o sonho não poderia ser abandonado. Meses depois, ela decidiu que era a hora de voltar ao mar e desde então, ela não parou mais.

Deu tudo certo

O que começou com a curiosidade sobre como trabalhar em uma plataforma de perfuração seguiu por outros caminhos e, curiosamente, desde o início da carreira, Carmem só trabalhou em navios, mas ainda assim ela se sente realizada.

Desde 2016, Carmem trabalha como rádio operadora na Sapura Navegação Marítima S.A, no navio PLSV Sapura Onix, que opera nas bacias de Campos e Santos.

“Tenho muito orgulho da minha profissão! As pessoas ainda me olham com espanto quando ficam sabendo que trabalho embarcada. É como se ainda fosse um tabu”, comenta, mas nada a desanima.

Ela conta que a distância da família ainda é sua maior dificuldade, mas as conquistas que ela obteve com o trabalho offshore e o amor pela profissão são o que a motivam e fazem tudo valer a pena.

“Hoje eu vejo mulheres em setores que nunca imaginaria. Estamos avançando e percebo que há menos preconceito, porque se torna cada vez mais comum encontrar mulheres nos diversos setores offshore”, celebra Carmem.

Incentivo

Ela destaca que encontrar mulheres no comando ainda é raro e que a maternidade ainda é motivo de desistência de muitas mulheres que não conseguem conciliar, mas reforça o lado positivo do trabalho em escalas. “Conseguimos passar mais tempo com a família durante os 14 dias de folga”.

Ela engrossa o coro de que é preciso mais programas de incentivo para divulgar o trabalho da mulher offshore e desmistificá-lo. “Acredito que iniciativas como Omar também é delas irá encorajar bastante. A falta de divulgação das profissões a bordo e como as mulheres são capazes de executar com maestria todas elas, nos coloca em desvantagem”.